Texto completo CEPIS/OPS/OMS

Perfil de recicladora de plástico

RECICLAGEM & NEGOCIOS - PLASTICO GRANULADO
1994 - CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem

Coordenação:
christopher Wells

Pesquisa e texto:
Cláudia Maria Chagas Bonelli

Conselho editorial:
Aureliano Costa
José Paulo Pinto Teixeira
Márcio Amazonas

Agradecemos ao SEBRAE/RJ o apoio dado na elaboração deste manual papel reciclado

Este manual foi confeccionado com miolo em papel reciclado
1a edição - dez/94


Introdução
Os resíduos plásticos
A reciclagem de plásticos no Brasil
Aspectos técnicos do emprendimento
Aspectos econômicos do empreendimento
Referências bibliográficas

Introdução

Este manual tem como objetivo fornecer informações técnicas e econõmicas básicas para a montagem de uma empresa de reciclagem de termoplásticos em cidades com população acima de 100 mil habitantes.

O produto a ser ofertado é o plástico granulado, obtido preferencialmente a partir de sucata pré-selecionada de polietileno, destinada às indústrias fabricantes de artefatos/peças plásticas, moldadas principalmente por extrusão, injeção e sopro.

O perfil apresentado foi dimensionado para processamento de 823,7 ton/ano de sucata pré-selecionada de polietileno, resultando na produção de 633,6 ton/ano de polietileno de alta densidade e |polietileno de baixa densidade reciclados.

O investimento total projetado é da ordem de US$ 160.000,00(cento e sessenta mil dólares), incluindo investimento fixo e capital de giro, para uma receita operacional anual estimada em US$ 316.000,00 (trezentos e dezesseis mil dólares).


Os resíduos plásticos

Devido à sua capacidade de ser moldado, o plástico tem sido utilizado na produção de uma grande variedade de artigos de formas diversas. O consumo de plásticos no Brasil vem crescendo com o desenvolvimento econämico e acompanha o ritmo da instalação, no mercado nacional, de empresas fabricantes de resinas sintéticas. A indústria de embalagens plásticas situou-se entre as de maior crescimento no Brasil nos últimos anos, segundo a Associação Brasileira de Embalagens Flexíveis.

Em 1993, o mercado brasileiro produziu cerca de 2,3 milhões de toneladas de plásticos - polietileno de alta densidade (PEAD), polietileno de baixa densidade(PEBD), polipropileno (PP), poli(cloreto de vinila) (PVC) e poliestireno (PS). O quadro 1 mostra o consumo nacional dessas resinas. Observa-se que o plástico mais consumido é o PEBD, seguido do PVC. Outros plásticos bastante procurados são o poliuretano (PU) e o poli(tereftalato de etileno) (PET).

O consumo anual per capita de plásticos no Brasil gira em torno de 10 Kg, sendo relativamente baixo, comparado com o índice de 72 kg, verificado nos EUA, e de 53 kg, no Japão. Observa-se, desta forma, um potencial de crescimento para esse setor no país. O mercado de embalagens representa cerca de 25% do consumo aparente de plásticos.

A destinação final dos resíduos sólidos, principalmente plásticos, representa uma das grandes preocupações da sociedade atual: o desenvolvimento tecnológico crescente gera refugos em grande quantidade, prejudicando o meio ambiente e a população. A reciclagem tem sido uma promissora rota para desviar esses rejeitos dos lixões ou aterros sanitários e reduzir custos de produção, substituindo matéria-prima virgem.

Para isso, esses resíduos podem ser clasificados, quanto à origem, em industriais e urbanos. Os rejeitos plásticos industriais provêm principalmente de refugos de indústrias de transformação, como peças fora de especificação técnica, aparas e rebarbas do processo. O material já selecionado e conhecido é geralmente reaproveitado na própria indústria ou vendido a terceiros .

Já os resíduos plásticos urbanos são gerados por consumidores. Nos últimos tempos, o destino principal desses resíduos tem sido os vazadouros, localizados na periferia das cidades. Sem maior preocupação técnica, tal práctica ocasiona um desperdício irracional desses materiais.

Os plásticos se degradam muito lentamente no meio ambiente. São bastante resistentes a radiações, calor, ar, água, causando apenas poluição visual. Eles representam cerca de 6 a 7% em peso e 16% em volume nos resíduos sólidos urbanos.

O quadro 2 ilustra a composição dos resíduos sólidos urbanos de algumas cidades. Os tipos de plástico que se encontram em maior quantidade no lixo urbano são: PEAD, PEBD, PET, PVC, PP e PS. O quadro 3 demostra a composição média das resinas nos resíduos plásticos rígidos, de acordo com a pesquisa CICLOSOFT, um banco de dados atualizado da coleta seletiva em oito cidades brasileiras, criado pelo CEMPRE.


A reciclagem de plásticos no Brasil

A partir de um concito amplo, a reciclagem ou recuperação de plásticos pode ser entendida como a reutilização de um artefato plástico para reaver, de modo econõmico, o valor do material descartado.

Quado se fala em reciclagem, logo se pensa na reutilização de um resíduo plástico para obtenção de um outro artefato plástico. Essa forma é a chamada reciclagem mecãnica, bastante difundida nas indústrias recicladoras de plásticos no Brasil, que costumam ser de pequeno a médio porte.

A recuperação primária é o nome dado ao reprocessamento de resíduo plástico industrial, composto por aparas, canais de injeção ou outros refugos. Nesse caso, a reciclagem é feita na própria fábrica ou por terceiros. Os refugos são moídos e encaminhados aos equipamentos de transformação, como extrusoras, sopradoras ou injetoras (cujo funcionamento básico será explicado mais adiante). O material é reprocessado juntamente com resina virgem (não reciclada), para obtenção do produto acabado.

Já a recuperação secundária é a reciclagem de resíduos plásticos urbanos ou agrícola pós-consumidos. Ela necessita de operações adicionais à recuperação primária. São importantes as etapas de separação manual de artefatos por tipo de plástico utilizado, a fin de não prejudicar o desempenho mecãnico do artefato reciclado. É preciso retirar partes metálicas dos refugos plásticos, com intenção de não danificar os equipamentos de reciclagem. Também é necessária a lavagem desses resíduos para retirada de contaminantes - terra, resíduos orgãnicos em decomposição, papel, etc. Assim, os principais estágios do processo de reciclagem de plásticos são: esocagem , separação manual, moagem. lavagem, secagem, aglutinação extrusão, granulação e transformação em um produto acabado, como frasco ou peça. Essa última etapa pode ser feita na própria indústria de reciclagem uo por terceiros. O presente manual trata do processo até a granulação.

Actualmente, as empresas de transformação de plásticos e entidades ligadas à reciclagem têm se esforçado no sentido de facilitar a etapa de separação manual dos artefatos, por tipo de plástico. Foi adotado um sistema de codificação de recipientes plásticos, que consiste em um símbolo com três setas em sequência, identificando o tipo de plástico com o qual o recipiente foi fabricado, como é mostrado no quadro 4.

Nas empresas de reciclagem, durante a etapa de lavagem, geralmente é feita na água, que tem densidade igual a 1,00, uma separação parcial de fragmentos plásticos, já moídos. Nessa fase, são separados os fragmentos plásticos menos densos que a água -PP, PEAD E PEBD- dos fragmentos plásticos mais densos - PS, PVC, PET, metais e outras impurezas mais pesadas, como areia, terra, pedra, etc. O quadro 5 indica a densidade dos plásticos e outros materiais mais comumente presentes nos resíduos urbanos.

Um processo mais recente de reciclagem mecânica, que está começando a ser utilizado atualmente no Brasil, à semelhança do Japão, Estados Unidos e de alguns países da Europa, é a reciclagem de resíduos plásticos misturados, para obtençao de perfis extrusados, de diferentes formas, que podem substituir economicamente diversos materiais, principalmente a madeira natural. São denominados "madeiras plásticas". Desta forma, podem ser obtidos mourões de cerca, bancos de jardim, estacas para proteção costeira e produtos para a indústria de construção civil.

Os plásticos que fundem com aquecimento e se solidificam com resfriamento, sendo passíveis de reciclagem, são chamados termoplásticos. Alguns exemplos são PEAD, PEBD, PP, PS, PVC, policarbonatos, nylon, etc. Nem todos os plásticos são adequados à reciclagem, mecânica. É o caso daqueles que não fundem com aquecimento e não são passíveis de reciclagem, chamados termofixos ou termorrígidos. Alguns artiguos confecccionados com estes materiais sâo: interruptores, peças industriais elétricas, peças para banheiro, pratos, travessas, cinzeiros, telefones, etc. Esse tipo de plástico pode ser pulverizado e aproveitado como carga ou ser queimado para recuperaçâo de energia.

Generalmente o plástico reciclado nâo deve ser usado em aplicações que exijam um grau elevado de purificaçâo do plástico, como em embalagens com contato alimentício, embalagens para remédios ou brinquedos que possam contaminar crianças por via oral.

Existem outras formas de reciclagem, ainda nâo muito difundidas no Brasil: a reciclagem química ou recuperaçâo terciária e a recuperaçâo de energia ou recuperaçâo quaternária.

A reciclagem química visa obter compostos químicos, que deram origem aos plásticos, como os monõmeros ou oligõmeros. Isso é possível com a quebra parcial oun total das moléculas dos resíduos plásticos, selec ionados e limpos, através de reações químicas. Os materiais obtidos exigem tratamento dispendioso na purificaçâo final. No Brasil, a reciclagem químico é feita para o poli(metacrilato de metila).

Na recuperaçâo de energia, os resíduos plásticos urbanos sâo incinerados e o calor recuperado em caldeira, para uso de vapor ou geraçâo de energia elétrica . Apesar do alto poder calorífico dos plásticos, poderá haver a emissâo de substâncias tóxicas, caso nâo haja manutençâo adequada do incinerador.

Estatísticas sobre a reutilizaçâo de termo-plásticos e termorrígidos no Brasil ainda nâo são facilmente obtidas. Segundo a ABREMPLAST (Associaçâo Brasileira dos Recicladores de Material Plástico), existem aproximadamente 600 a 800 instalações industriais e sucateiros dedicados à reciclagem mecãnica de plásticos provenietes de resíduos sólidos industriais, agricolas ou urbanos. Estima-se que a atividade de reciclagem processe cerca de 200.00 ton/ano sendo que 60% sâo provenientes de resíduos industriais e 40% de resíduos sólidos urbanos. O valor acima representa um faturamento próximo a US$ 250 milhões , podendo gerar até 20.000 empregos diretos.

Atualmente ainda existe uma participaçâo bastante pequena da reciclagem de plásticos em relaçâo ao potencial de mercado interno de plásticos no país. A reciclagem mecânica tende a crescer significativamente, seja pela abundância de matéria-prima ou pelas oportunidades dadas a essa atividade. Segundo a ABREMPLAST, o potencial de material plástico para reciclagem mecânica é de 450.000 ton/ano. Pode-se observar que existe uma situaçâo bastante favorável à reciclagem, que tem possobilidade de participar efetiva mente de um grande mercado como fornecedor de matéria-prima.


Referências bibliográficas

  1. É Fonseca "Reação com o freio puxado", Plásticos em Revista, 360, 16-52 (1992);
  2. Painel, "Nada se perde, muito se cria e tudo se transforma ", Plásticos em Revista,383, 8-9(1994)
  3. Reportagem Especial, Plásticos em Revista, 382, 25 (1994)
  4. C.M.C. Bonelli, "Recuperação secundária de plásticos provenientes de resíduos sólidos urbanos do Rio de Janeiro", Tese de Mestrado, Rio de Janeiro, RJ (1993)
  5. A. Blass, "Processamento de Polímeros", 2a. de., Editora da UFSC, Florianópolis, SC (1988)
  6. E.B. Mano, " Polímeros como materiais de engenharia ", Editora Edgar Blücher, São Paulo, SP(1991)
  7. Revista Construção, 329, janeiro (1994) RELAÇÃO DE ANEXOS

Endereços úteis:

ABIMAQ - Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
End.: Av. Jabaquara, 2925 Cep: 044045-902 São Paulo S.P.
Teléfono: (011) 582-6311
Fax: (011) 579-3498
ADIPLAST - Associação Brasileira da Indústria do Plástico
End.: Av. Paulista, 2439 conjunto 8182 CEP: 01311-300 São Paulo S.P.
Teléfono: (011) 282-8288
Fax: (011) 282-8092
ABREMPLAST - Associação Brasileira de Reciclagem de Materiais Plásticos
End.: Rua Guanabara, 98 CEP 04310-050 São Paulo SP
Teléfono: (011) 577-2877
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CEMPRE - Compromisso Empresarial para Reciclagem
End.: Praia de Botafono, 228/613 CEP 22359-900 Rio de Janeiro RJ
Teléfono: 553-5530
Fax: (021) 553-5760

 


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